
Faço 30 anos. Pronto, disse-o. Tá dito. Felizes? Pois eu não. Sim, sim é sinal de que estou viva. Pois, pois os 30 de hoje são os vinte de ontem. E isso a mim que me interessa? Não é um bom ano para fazer 30 primaveras, verões, outonos e invernos. Não é! Não quero passar dos 29. Não quero entrar naquela idade em que já não podemos dizer... ainda sou nova! Não quero entrar na fase do tás quase a fazer 40!
Não me imaginava aqui, há 10 anos atrás. Sonhava com uma Vida diferente, num espaço diferente, com hábitos diferentes. Neste momento são minutos de stress que vivo. Não estava preparada para tanta pressão, apesar de me dizerem que só temos o que aguentamos, eu não quero aguentar mais. Estudar. Trabalhar. Chegar a todas as frentes. Tirar boas notas. Pagar contas. Dormir 5h por noite. Ouvir, ouvir, ouvir. É duro! É DURO! E eu estou esgotada. Apetece-me explodir, ganir, fugir, ir ali e não mais voltir (era só pa acabar em 'ir' também).
Faço 30 anos. Merecia festa. Concordo. Merecia. Mas falta-me o tempo, falta-me o 'espaço', falta-me a vontade, falta-me a minha avó...
Não concebo um jantar de aniversário sem ela. Pelo menos este ano. Sim ela quereria que eu o fizesse, dir-me-ia qualquer coisa como: quem está está, quem não está estivesse. Mas os 30 anos e a pressão do momento toldam-me o juízo e aumentam-me a sensibilidade. Apetece-me discutir. Apetece-me contrariar. Quero a minha avó de volta! Quero ter outra vez 20 anos.... Posso?